Da primeira vez que viu o grande amor já sabia que era seu grande amor e por isso duvidou de si e depois do amor e depois do mundo e por fim de todas as coisas. A criação era inútil, o céu um mero teto ruim para impedir a decolagem de qualquer  avião que fosse embora.

Depois ficou muda e se passaram meses até que resolvesse: grande amor, farei contato.

-Olá grande amor, eu vim em paz.

E enrolou-se sobre o próprio tronco com medo da resposta do grande amor, mesmo sabendo que ele era educado e não lhe faria mal algum, além de uma rejeição ou um coração partido.

E depois disso conversou e contou para o grande amor as grandes mentiras sobre a grandiosidade de sua alma e pequeneza de suas intensões, e o grande amor a amou também porque sabia capaz de mentir

como ele

grande amor não lhe contou nada mas disse coisas que viraram seu mundo em posições nunca dante vistas no circo de Moscou.

grande amor, esse acrobata espiritual

malabarista das suas pulsações

é assim, eu nunca consigo fazer nada do começo ao fim. Preciso fazer um pedaço, depois passar pra próxima tarefa e fazer o pedaço dela, e ir assim com muitas partes até que tudo se conclui, eventualmente,

-umas dancinhas e uns planos pro futuro,

e quanto mais acumulados e sobrepostos e atravancados os trabalhos mais legal porque assim tem mais pedaços em seguida, e se demora mais pra voltar ao começo do ciclo,

-um café e uma nova rádio na last,

Acho que a conclusão de minhas tarefas demora o mesmo tempo que eu gastaria se fizesse uma de cada vez, mas assim não enlouqueço, e isso confunde as outras pessoas um pouco, porque é meio estranho explicar que para não enlouquecer é preciso agir de forma estranha,

-leitura diagonal de 5 blogs e desistência dos planos para o futuro,

Não sei o que isso fala sobre mim.

O que eu sempre procurei ao ler era bem pouco: ler algo que mudasse minha vida.


 

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